Igreja Católica - Uma Gestão de Sucesso

30 de Janeiro, 2007 por Diego Chagastelles
Em Negócios, Impostos, Brasil |

Em termos dogmáticos, confesso não nutrir muita simpatia pela instituição. A eficiência na gestão, entretanto, aliada a uma capacidade secular de sobrevivência, desperta em mim um grande respeito pela Santa Sé. No concorrido mercado da fé as regras são outras, e neste ramo a Santa Amada Igreja se mantém até hoje como Top Of Mind.

Analisando historicamente, observamos que a Igreja instituiu algumas medidas altamente eficazes em sua administração, as quais inclusive, servem de modelo para corporações e países. Um exemplo bem claro é o Dízimo - a décima parte da renda mensal do fiél. É desta taxa que primordialmente provinha o dinheiro da Igreja. Considero que este seja o valor ótimo para o imposto. Acima disso, haveria maior inadimplência, revoltas. Abaixo, talvez o arrecadado não fosse o suficiente para o pagamento da folha (de ouro, das paredes das Igrejas; a de pagamentos é baixíssima).

Antes da Globalização, a Igreja já enviava empreendedores à novos mercados missões ao mundo pagão, fundando assim novas filiais dioceses mundo afora. Não há no mundo instituição mais globalizada que a Igreja Romana (talvez a Coca-Cola e o McDonalds).

A Igreja inovou quando o assunto é previdência. Você já ouviu falar de padre aposentado? Certamente que não, pois instituir um cargo vitalício foi a grande sacada deles, economizam na aposentadoria e no treinamento de novos padres, devido a baixa rotatividade. Para compensar e deixá-los felizes, lhes dão vinho, estagiários à vontade e um plano de carreira que vai de coroinha à papa.

Antes mesmo do MBA, a Igreja Apostólica Romana já dava lições de Planos de Negócio. Diversificando e oferecendo novos serviços (batismo, 1ª comunhão, casamento, extrema-unção, etc). O Vaticano ditava as regras e tinha o monopólio do mercado no Ocidente, assim como a Apple, atualmente. Com as tragédias todas ocorridas século passado o inferno ganhou um concorrente à altura, o que ocasionou uma certa queda na arrecadação. Porém, com a posse da nova Diretoria de Investimentos (Opus Dei), o jogo virou novamente, foram criadas as Universidades Católicas e o Vaticano entrou de sócio em alguns bancos, a partir de então nunca mais dinheiro foi um problema. O carro chefe deixou de ser a “Salvação” e se tornou o “Dinheiro” (o que foi uma jogada de mestre, dada a atual conjuntura).

Sufocada pelos governos, a Igreja não teria a mínima chance hoje se dependesse da contribuição dos fiéis para bancar os óculos do Papa. Entre não pagar impostos e ir para uma penitenciária e não comprar a indulgência botar o dinheiro na cestinha e ir para o inferno, na dúvida se escolhe o inferno, pois há boas chances dele ser melhor que os presídios brasileiros.

Será que escolher o Papa para Presidente é a solução para o nosso país? Na verdade o Brasil não necessita de ajuda Divina, os nossos problemas podem ser resolvidos com controle e pragmatismo na administração. O Papa vem aí daqui a alguns dias, que Lula se aconselhe com o Homem. Mas que cuide, entretanto, para que não seja mais um golpe sujo do Gargamel, tentando roubar a presidência do nosso Papai Smurf.

Comentários:

Um comentaário para “Igreja Católica - Uma Gestão de Sucesso”

  1. Ester Mirian Pimentel em 12 Agosto, 2008 15:40

    Caro diego,
    Muito bom seu texto. Penso que a igreja catolíca não está mais sozinha no mercado da fé, têm agora as igrejas neo- pentencostais.

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