O assistencialismo pode ser uma boa política?
É um fato que os programas sociais do governo brasileiro, como o bolsa família, tem cumprido um papel importante em retirar da miséria absoluta milhões de famílias. Eu certamente não sou a favor de assistencialismo estatal, principalmente como uma política de longo prazo, mas posso aceitá-lo como uma medida emergencial com intuito de reinserção social.
Estes programas sociais assistencialistas só tem algum fundamento caso cobrem dos beneficiários uma contrapartida social (os filhos irão à escola, haverá um controle de natalidade, haverá acompanhamento nutricional, etc). Nestes casos, acredito que é um bom investimento que o Estado está fazendo, está formando cidadãos com um mínimo de estudo e saúde, e mantendo-os em um ambiente familiar. No futuro eles poderão deixar de onerar o estado, passando a contribuir pelo bem social com quase metade dos seus ganhos, neste dia eles farão parte da classe média.
O controle de natalidade é talvez a principal medida a ser tomada, e com certeza também a mais difícil de ser adotada, seja pela antipatia que ela causa em muitos setores da nossa sociedade, seja pelas dificuldades em implantá-la. A discrepância na taxa de fecundidade entre famílias pobres e ricas é o fator primordial para a manutenção da concentração de renda no Brasil - os pobres, que já tem pouco o que fornecer aos filhos, ainda tem de dividir entre muitos, já os ricos, em sua maioria, tem poucos filhos.
Um colega meu teve a idéia de instituir o “bolsa filho único”, que auxiliaria casais que possuem um só filho. É uma ótima idéia, mas esbarra em toda gama de problemas éticos, sociais, religiosos e de saúde pública. Talvez nossa sociedade ainda não esteja preparada para absorver esta idéia, só nos resta aguardar o dia em que não nos reste outra alternativa.




Eu não acho que essa política deva ter o nome pejorativo de “assistencialismo”. Nenhum ser humano se faz sozinho, sempre precisa da ajuda de outros, seja para aprender alguma coisa ou para ter algo. A maior parte da classe média e dos ricos, teve ajuda da família. A imensa maioria de meus colegas de faculdade nunca haviam trabalhado. E muitos usavam o dinheiro dos “velhos” para farras e festas, deixando até o estudo em segundo plano. Por que esses que tiveram a sorte de nascer em berço de ouro, podem receber “assistencialismo” e uma família na miséria não?
Sobre o planejamento familiar, não somos que nem a Índia. Atualmente, a fertilidade por mulher é de 1,88 e o mínimo para reposição da população é de 2,1, então, me parece que esse não é um problema mais para o Brasil.
No Brasil, os jovens são educados pela escola, propaganda, novelas e filmes a estar constantemente insatisfeitos com a própria vida, o que provoca uma busca desenfreada pelo prazer em todos os sentidos, inclusive relacionados ao consumo.
Se fosse só esse o defeito até que poderíamos resolver facilmente, mas ainda tem o orgulho. Cada “casta” no Brasil se considera “melhor” do que o resto. Quem trabalha na iniciativa privada se acha melhor do que quem trabalha no setor público. Os empresários se acham melhores do que todos os outros juntos e somados. Os militares consideram-se os únicos e legítimos representantes do patriotismo.Isso sem falar no fanatismo religioso que já começa a dar sinais de vida no Brasil.
Cada pessoa é importante para o funcionamento do país. Tem coisas que a iniciativa privada não pode fazer. Suponha que a defesa da civilização ocidental na segunda guerra tivesse sido feita pela iniciativa privada. Teríamos uma suástica levantada em cada cidade do continente e centenas de milhões de esqueletos enterrados em volta delas. E um governo sem as empresas particulares? Basta ver a URSS que tentou, tentou mas finalmente admitiu: desistimos! Deveríamos parar de ter o pensamento de casta, que nos desuni e nos focalizarmos na ajuda mútua, que é o melhor meio de resolvermos nossos problemas.
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